A prefeitura apresentou nesta semana um ambicioso projeto de mobilidade urbana que prevê a construção de 47 quilômetros de ciclovias integradas e a criação de corredores exclusivos para ônibus em seis avenidas principais da cidade. A iniciativa, batizada de Mover Brasília, deve ser implementada em fases ao longo dos próximos três anos.
Segundo o secretário municipal de transportes, Augusto Ferreira, o projeto nasceu de uma série de audiências públicas realizadas ao longo de 2025. "Ouvimos mais de dois mil moradores. A demanda por mobilidade ativa e transporte coletivo eficiente foi absolutamente clara", disse ele durante a apresentação no Palácio do Buriti.
A primeira fase, com previsão de início para agosto deste ano, contempla a Avenida das Nações e o trecho norte da Asa Sul. Serão investidos R$ 180 milhões, parte proveniente de repasse federal e parte do orçamento municipal. Moradores da região já demonstram expectativa positiva, embora alguns comerciantes manifestem preocupação com o período de obras.
O que muda no dia a dia
Para quem usa o transporte coletivo, a principal mudança será a criação de faixas exclusivas que devem reduzir o tempo médio de deslocamento em até 35% nos corredores contemplados. Os ônibus do sistema BRT também receberão integração com o metrô em três novas estações de conexão.
Ciclistas terão acesso a uma rede mais conectada, com paraciclos cobertos em pontos estratégicos e integração com o sistema de bicicletas compartilhadas já existente. A meta é triplicar o número de viagens de bicicleta até 2028.
Especialistas em urbanismo ouvidos pelo Diário Urbano avaliam o plano com cautela. "A proposta é consistente, mas a execução depende de uma gestão muito cuidadosa das obras simultâneas. Já vimos projetos assim emperrarem na fase de licitação", pondera a urbanista Cláudia Rezende, professora da UnB.
Reações da sociedade civil
Organizações de ciclistas e pedestres celebraram o anúncio. O coletivo Pedala Brasília publicou nota elogiando a abrangência do projeto, mas pediu atenção à manutenção das estruturas após a entrega. "De nada adianta construir se não houver um plano de conservação", escreveu a organização em suas redes sociais.
Já associações de moradores de algumas regiões expressaram dúvidas sobre o impacto no estacionamento de ruas residenciais. A prefeitura prometeu realizar reuniões específicas com cada comunidade afetada antes do início das obras.
O projeto completo está disponível no portal da Secretaria de Transportes e passará por consulta pública até o fim do mês.